quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Síntese sobre Violência Urbana



      Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada.
       A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional.
       A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume.
       A violência urbana engloba uma série de violências como a doméstica, escolar, dentro das empresas, contra os idosos e crianças e tantos outros que existem e que geram esse emaranhado que se tem conhecimento. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. Inúmeras são as idéias e os projetos feitos para erradicar a violência urbana, porém cabe a cada cidadão a tarefa de se auto-analisar para que a minúscula violência que se tem feito seja eliminada a fim de que grandes violências sejam suprimidas pela raiz.

Homicídios batem recordes na Ilha de São Luís



Dom, 15 de Novembro de 2009 07:45
FRANCISCO MELO DA SILVA*

Estamos vivendo o maior índice de criminalidade na Ilha de São Luís. Qualquer cidadão sabe, não precisa ser estudioso no assunto, que o carro chefe da criminalidade é o homicídio, por uma razão muito lógica, enquanto alguns crimes contra o patrimônio, por exemplo, o roubo de um celular, de uma residência etc..., passam distantes dos registros policiais, o homicídio já é mais difícil, pois a vida é o bem maior e dificilmente foge aos olhos da comunidade.

A estatística da criminalidade é de domínio público e todos devem ter conhecimento do que está acontecendo para dar sua contribuição como cidadão. Ao longo da minha vida profissional, sempre acompanhei e me preocupei com os números da criminalidade, por entender que se o gestor sabe o que está acontecendo, com todos os detalhes, fica mais fácil estabelecer uma política de controle da criminalidade.

Esse entendimento deve começar na base, no policial que está na área territorial, atuando junto à comunidade e vai até o último escalão da instituição. Um diagnóstico preciso é o ponto de partida, caso contrário, vamos ter os desencontros e improvisos para satisfazer aos interesses políticos de poucos.


De 17 de abril a 17 de outubro deste ano, nos 6 meses da atual gestão, foram registrados 306 homicídios na Ilha de São Luís. Estamos falando de homicídios e, neste caso, não estão incluídos os acidentes de trânsito, afogamentos, suicídios e outras mortes violentas.

Como disse, a estatística da criminalidade é de domínio público, e os números não são meus, foram colhidos no IML, nos matutinos locais e nos programas policiais, mas qualquer cidadão pode tê-los, é só fazer um acompanhamento no dia a dia na Ilha e constatará, não só os homicídios, mas tantos outros registros da criminalidade.

No dia 17 de abril deste ano, ouvimos em bom tom que a partir daquela data os maranhenses podiam arrancar as portas e janelas de suas casas, porque no Maranhão não ia mais ter bandido. As críticas à gestão passada foram as mais diversas possíveis, que o sistema de segurança estava sem cabeça, sem comando, sucateado.

Entretanto, naquela gestão, a média de homicídios, no primeiro semestre do ano passado, não ultrapassou os 32,66 por mês, isto é, 196 registros de janeiro a junho de 2008. E agora, nos últimos seis meses foram registrados 306 homicídios, ou seja, uma média de 51 homicídios por mês, um aumento de 110 casos, um percentual de mais de 50%, o maior índice de homicídios já registrados na Ilha, num mesmo espaço de tempo.

Segurança pública não é igual a uma receita de bolo, porque nem sempre se resolve o problema com os mesmos ingredientes, ou mudando a receita, o slogan ou com um discurso estridente, mas sim aumentando os ingredientes e aproveitando o que está funcionando, afinal de contas é um serviço público e o que está dando certo não há razão para se contrapor, mas pelo visto, na gestão passada nada funcionava.

Sou adepto da crítica, ela deve existir de forma ética, sensata e construtiva, mas nunca direcionada a denegrir a imagem das pessoas, se critica as idéias, pois dessa forma entendo que o crítico estará contribuindo para uma reflexão sobre o assunto.

A situação da criminalidade no Maranhão é grave. Incomodam não apenas os crimes de homicídios, mas os roubos, os seqüestros com reféns, os latrocínios, entre outros.

O aumento do crime causa preocupação em todos nós, nas autoridades, no povo em geral, e principalmente naqueles que por diversas circunstâncias são mais vulneráveis.

Sempre dei a minha contribuição e estou apto a continuar ajudando. Porém, não dá para ficar tratando desse assunto tão sério como se fosse propriedade particular de alguém, com diferenças pessoais em razão de a pessoa ter feito parte de governo x ou y, pois a administração pública não pode ser gerida dessa forma, pelo lado pessoal. Afinal, somos profissionais, técnicos do Estado e pagos com o dinheiro público para trabalharmos em prol da sociedade, independentemente de quem seja o governante ou o gestor público.

Não é correto alguém receber um tratamento de retaliação só por puro capricho ou questões políticas, como vem acontecendo, quando o maior prejuízo será para o Estado, para a população, porque tem muita gente que pode estar contribuindo, mas está renegado ao ostracismo.

Finalmente, só não dá para entender porque antes estava tudo errado; sistema sem cabeça já que faltava tudo e o crime estava controlado. E agora que o sistema tem cabeça, a governadora deu aumento salarial para a polícia, atendeu às reivindicações institucionais, estruturou o sistema e a criminalidade não diminui, só aumenta.

Este ano já foram registrados 457 homicídios, na Ilha de São Luís, superando a marca do ano passado, e ainda não terminou o ano. “Criticar é fácil o difícil é construir”.


(*) Coronel da ativa da Polícia Militar do Maranhão


publicado no Jornal Pequeno (MA) em 15/11/2009