MORTE DO CABO SODRÉ
Mesmo sem conclusão dos laudos, cúpula da Segurança resolveu se pronunciar sobre o crime
POR WELLINGTON RABELLO
Contrariando o que haviam afirmado inicialmente, de que só iriam se pronunciar após a conclusão dos laudos do Instituto de Criminalística (Icrim), o secretário estadual de Segurança Pública, Aluísio Guimarães, e o comandante da Polícia Militar do Maranhão, coronel Franklin Pacheco, decidiram falar sobre a ação policial que resultou na morte do cabo da PM Paulino José da Silva Sodré, 43 anos. Aluísio Guimarães classificou de ‘anormal e catastrófica’ a ação dos seis militares do Comando de Operações Especiais (COE), na noite da última sexta-feira, 28, que vitimou o Cabo Sodré, garantindo que não irão ficar dúvidas, pois para apurar o crime foram abertos dois inquéritos, um militar e outro civil.
Para falar sobre o assunto, a cúpula da Segurança do Maranhão convocou a imprensa para uma coletiva na tarde de ontem, 2, no auditório da SSP. Logo no início, o secretário Aluísio Guimarães foi questionado sobre o que havia de concreto em relação ao crime, mas se limitou a dizer que “de concreto só existia o fato de que a ocorrência não transcorreu com a normalidade que deveria”, uma vez que resultou na morte do militar. “A polícia deve atuar para que não haja morte”, afirmou Aluísio.
O secretário garantiu que nada será escondido, informando que para apurar as motivações que levaram ao assassinato do Cabo Sodré determinou a abertura de dois inquéritos paralelos, um na Polícia Militar e outro na Polícia Civil, este presidido pela delegada Bernadete Teodoro, da Delegacia de Homicídios. Já o IPM terá à frente o tenente coronel Antônio Vieira de Aquino, tendo o prazo de 40 dias para a conclusão, podendo esse prazo ser estendido por mais 20 dias.
Guimarães contou que são várias as versões para o crime, mas que somente os laudos e as ‘possíveis’ testemunhas poderão informar o que de fato aconteceu. Ele disse que tudo será investigado, mas que não poderia declinar as linhas de investigação pelo fato de os inquéritos estarem ainda em suas fase inicial, e que vai esperar a conclusão deles para fornecer mais detalhes.
A respeito da atitude de os militares terem alterado a cena do crime, Aluísio Guimarães considerou isso como um ‘fato grave’, pois os policiais têm conhecimento de que se a vítima morreu ainda no local o que deve ser feito é preservar tudo até a chegada da perícia e a futura remoção por parte do Instituto Médico Legal (IML). Essa declaração do secretário se deu porque os envolvidos na morte do Cabo Sodré retiraram o corpo de dentro do veículo em que se encontrava e levaram para o Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão II, onde foi abandonado até ser removido para o IML.
Operação Centauro – O coronel Franklin Pacheco informou que, em depoimento, os policiais envolvidos no crime afirmaram que “a ação teria ocorrido devido à fuga da vítima e que na perseguição houve o disparo de arma de fogo contra a guarnição, de uma ou outra pessoa”. Franklin Pacheco esclareceu que o Batalhão de Choque não trabalha aquartelado, que o COE atua em situações adversas quando outra equipe não pode dar a resposta exigida e que na noite do crime os militares estavam participando de uma operação denominada Centauro, que já era desenvolvida há algum tempo em áreas de grande índice de criminalidade, por determinação do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM).
Sobre o disparo que matou o Cabo Sodré, o comandante da PM afirmou que foi uma situação ‘atípica’ e que se houve precipitação por parte dos militares só o IPM poderá dizer, mas condenou a ação dos PMs, de terem perseguido o veículo da vítima.Para ele, o correto a fazer nesses casos, uma recomendação do Comando, é realizar o cerco inteligente para evitar prejuízos para a sociedade e para a corporação. “Isso foi um procedimento errado, um desrespeito”, ressaltou.
Foi informado durante a coletiva que todos os laudos estão sendo feitos no Maranhão, mas que não há prazo para a conclusão. E que estão sendo realizados exames de balística, distância do disparo e materiais orgânicos. “Tudo será investigado, principalmente porque o crime resultou a partir de uma abordagem ocorrida em uma rua deserta, onde não havia testemunhas”, explicou Aluísio Guimarães.
Nomes – A guarnição envolvida na morte do Cabo Sodré era formada por seis policiais que estão afastados de suas funções e aquartelados. São eles: cabo Itânio Silva Soares, apontado como o autor do disparo que matou Sodré; cabo Marcílio Passos, soldado Edgar Rodrigues, soldado Edvaldo Melo, e os soldado Gunar Braga e José Ewerton.
Presentes à coletiva, familiares do Cabo Sodré afirmaram que os representantes da Segurança não responderam nada sobre o crime; que a entrevista só aconteceu devido à pressão da família e da sociedade. Para a irmã da vítima, a consultora de vendas Dulcivane da Silva Sodré, 33 anos, a morte do militar foi uma execução, a partir de uma ação proposital, mas sem saber dizer qual seria a motivação. “Sempre conversamos, e ele nunca deixou transparecer que estivesse sendo ameaçado ou que tivesse desavença com alguém”, declarou.
Dulcivane não soube dizer de onde era que seu irmão estava retornando ou para onde seguia naquela noite. Ela aproveitou para pedir o apoio da população, de alguém que presenciou a ação.


Crime militar próprio (militar contra militar), apuração exclusiva da polícia judiciária militar. Inquérito Policial realizado pela Polícia Civil é nulo de direito.
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