Rio -
O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio, tenente-coronel
Fábio Souza, inovou no marketing e na forma de estimular sua equipe a obter resultados, criando uma
“promoção” como forma de recompensa inusitada e talvez inédita na corporação.
Um cartaz
no mural de avisos do Choque se assemelha a um anúncio do Velho Oeste e
avisa: “Grande Promoção do Batalhão de Choque: Na prisão de ‘Canelão’ ou
‘Neto’ ganhe 15 dias de folga + um fim de semana em Ilha Grande”. Embaixo do
texto, no cartaz, há imagens dos dois criminosos, como “procurados” pelo
Disque-Denúncia. A recompensa oferecida por Canelão é R$ 2 mil, e R$ 1 mil por
Neto.
Inácio de
Castro Silva, o Canelão, e Amaro Pereira da Silva, o Neto, são apontados como
os dois principais traficantes remanescentes na Rocinha, após a tomada e
ocupação da PM na maior favela do Brasil. Eles seriam ainda os responsáveis por
alguns dos 11 assassinatos ocorridos na Rocinha desde a ocupação, entre os
quais o de Feijão - supostamente morto a mando de Canelão.
Foi uma
equipe de policiais do Batalhão de Choque que prendeu o chefão do tráfico na
Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, em novembro. A unidade era
responsável pelo cerco tático à favela e prendeu Nem quando ele tentava fugir
no porta-malas de um carro.
Para o
comandante, Fábio Souza, a medida tem o objetivo de estimular os policiais. Em
vez de prêmio em dinheiro, o soldado receberia valorizadas folgas e o descanso
em uma pousada na parasidíaca ilha em Angra dos Reis. "O batalhão dá
o fim de semana em Ilha Grande", disse ao iG, rindo, o
tenente-coronel Fábio.
'Canelão' é procurado pela polícia | Foto: Divulgação
O Choque
continua a atuar na favela de São Conrado, junto com o CPP (Comando de Polícia
Pacificadora), sob o comando do major Édson, ex-Bope (Batalhão de Operações
Policiais Especiais). Atualmente, três equipes da unidade continuam a patrulhar a
comunidade.
Em
grupamentos de oito PMs, os soldados do Choque circulam de 8h às 20 e de 20h às
8h. Um desses grupos pode ter a sorte de ganhar a recompensa. Desde a
troca do comando da PM, em setembro, o Batalhão de Choque passou a ter um novo
papel operacional, tornando-se cada vez mais uma tropa de elite operacional da
PM, ao lado do Bope, com atuação tática importante.
Para
isso, foram designados para o comando da unidade dois ex-integrantes do Bope, o
tenente-coronel Fábio Souza ("caveira" 90) e o subcomandante, major
Vinícius ("caveira" 93). Na opinião do comandante, a prisão de
Nem pela unidade aconteceu em um momento importante de mudança de perfil da
unidade e ajudou os soldados a ganhar reconhecimento e aumentar a auto-estima.
O Choque
recebeu, em abril, o prêmio do Sistema Integrado de Metas da Secretaria de
Segurança, por ter se destacado entre as unidades especiais por cumprimento de
metas e inovação.


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